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Síndrome de Guillain-Barré – Um breve resumo

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Por: Carlos Ramon Rocha. Acadêmico do 4° semestre, Medicina – UNIVASF

 

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é a principal causa de paralisia flácida aguda no mundo, com incidência anual de 1–4 casos por 100.000 habitantes e pico entre 20 e 40 anos de idade. É uma polirradiculoneuropatia inflamatória, geralmente pós-infecciosa e media pelo sistema imune. A SGB enquanto inflamação aguda adquirida leva à desmielinização dos nervos periféricos, consequentemente à fraqueza motora e alterações sensoriais. (1, 2)

Aproximadamente 60% a 70% dos pacientes com SGB apresentam alguma doença aguda precedente (1 a 3 semanas antes), sendo a infecção por Campilobacter jejuni a mais frequente (32%), seguida por citomegalovírus (13%), vírus Epstein Barr (10%) e outras infecções virais, tais como hepatite por vírus tipo A, B e C, influenza e vírus da imunodeficiência humana (HIV). Outros fatores precipitantes de menor importância são intervenção cirúrgica, imunização e gravidez. (2)

A SGB apresenta evidente heterogeneidade. A variante clássica é a polineuropatia desmielinizante inflamatória aguda (PDIA). Outras duas novas variantes são a neuropatia axonal motora aguda (NAMA) e a neuropatia axonal motora e sensitiva aguda (NAMSA). A Síndrome de Miller-Fisher (SMF), também, é considerada uma variante da SGB. (1, 3)

A maioria dos pacientes percebe inicialmente a doença pela sensação de parestesia nas extremidades distais dos membros inferiores e, em seguida, superiores. Dor neuropática lombar ou nas pernas pode ser vista em pelo menos 50% dos casos. Fraqueza progressiva é o sinal mais perceptível ao paciente, ocorrendo geralmente nesta ordem: membros inferiores, braços, tronco, cabeça e pescoço. A intensidade pode variar desde fraqueza leve, que sequer motiva a busca por atendimento médico na atenção básica, até ocorrência de tetraplegia completa com necessidade de ventilação mecânica (VM) por paralisia de musculatura respiratória acessória. Fraqueza facial ocorre na metade dos casos ao longo do curso da doença. Entre 5%-15% dos pacientes desenvolvem paresia oftálmica e ptose. A função esfincteriana é, na maioria das vezes, preservada, enquanto a perda dos reflexos miotáticos pode preceder os sintomas sensitivos até mesmo em músculos pouco afetados.  Instabilidade autonômica é um achado comum, causando eventualmente arritmias relevantes, mas que raramente persistem após duas semanas. (1, 2)

Além do quadro clínico e do estudo do líquor, o diagnóstico da SGB é auxiliado pela eletroneuromiografia. O estudo da condução nervosa e a eletromiografia por agulha apresentam evidências de envolvimento dos nervos periféricos, assim como diferencia os subtipos desmielinizante e axonal. Estudos realizados na primeira semana da doença podem ser normais. Neste fase, alterações sugestivas de desmielinização podem ser na verdade disfunção reversível do axolema motor ao nível do nodo de Ranvier. Recomenda-se a realização de pelo menos dois estudos eletrofisiológicos. Apesar da importância da eletroneuromiografia e do estudo do líquor, esses exames não são obrigatórios para o diagnóstico de SGB. (1, 2, 3)

Estudos afirmam que o tratamento de SGB deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, propiciando a prevenção das complicações e manejo dos sintomas durante a fase aguda da doença. As terapias mais utilizadas para tratar SGB em sua fase aguda são a Plasmaferese (PE) e a Imunoglobulina Intravenosa (IVIg). A PE consiste em realizar uma diálise, em que o sangue do paciente é processado por máquina a qual separa e retira anticorpos do paciente e os substitui por fluído com 5% de albumina. Na IVIg, método de tratamento considerado mais seguro e mais utilizado, é utilizada uma matriz de anticorpos com sorologia normal, que é aplicada via intravenosa em pacientes com SGB. O uso de corticoides apesar de indicado por muitos médicos, é considerado ineficaz por outros. (1, 2)

Referências bibliográficas:

1. BRASIL, Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. Síndrome de
Guillain-Barré. Brasília, 2015.

2. JÚNIOR, Mário Emílio Teixeira Dourado. Síndrome de Guillain-Barré: epidemiologia,
prognóstico e fatores de risco. 2015, 147f. Dissertação (Doutorado em Ciências da Saúde) –
Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal – RN, 2015.

3. COSTA, Ana Carolina Digues da. Síndrome de Guillain-Barré: uma revisão integrativa de
literatura e de dados do Sistema Único de Saúde. 2016, 37f. Trabalho de Conclusão de Curso
(Graduação em Saúde Coletiva) – Faculdade de Ciências da Saúde – Universidade de Brasília.
Brasília, 2016.

Neurofibromatose

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(por Helena Fernandes)

Antes de iniciar a nossa discussão dessa semana, vamos nos atentar para a seguinte história clínica:

 

Agora vamos literalmente para o começo de tudo. Durante o período embrionário, por volta da 3ª semana ocorre o processo de gastrulação, onde o disco embrionário passa a ser composto por três camadas: uma mais interna (endoderma); uma camada intermediária (mesoderma); e, uma camada mais externa (ectoderma).

HSA – Hemorragia Subaracnóidea

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(por Silvanildo Macário)

Dando continuidade às publicações semanais, iremos fazer uma breve abordagem sobre a Hemorragia Subaracnoidea ou comumente chamada de HSA.

Os acidentes vasculares cerebrais são importantes problemas de saúde pública, representando, juntamente com cardiopatia isquêmica, a causa combinada que mais matou em 2016, cerca de 15,2 milhões de pessoas em todo o mundo. Os acidentes vasculares cerebrais podem ser do tipo isquêmico, caracterizado por uma súbita instalação de um deficit neurológico focal persistente,  como consequência a uma isquemia seguida de infarto; ou podem ser do tipo hemorrágico, que se caracterizam por um sangramento nas partes do cérebro.

As hemorragias intracranianas podem ser de vários tipos e dependem da localização e da origem vascular do sangue. São elas a hemorragia subaracnoidea, quando o sangramento é no espaço subaracnoideo; hemorragia epidural e hemorragia subdural, nos espaços epidural e subdural respectivamente.

TCE e Escala de Coma de Glasgow

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Começando um novo ciclo após os 10 anos de Neuroliga, haverá semanalmente novas atividades e publicações em nosso site com o intuito de divulgar para toda a comunidade médica temas relacionados as neurociências, mas que são importantes para todos os profissionais de saúde! Para acessar todos os temas já abordados, clique aqui e nos sigas nas redes sociais.

Quando nos deparamos com o tema Trauma Cranioencefálico (TCE) há uma necessidade de compreender de que forma pode ocorrer esse quadro. Caracteristicamente são lesões no couro cabeludo, crânio, meninges e encéfalo, associadas ou individualmente. É o maior determinante de danos, sequelas e mortes até a quarta década de vida, com variados prognósticos e evoluções. O TCE possui classificações relacionadas à condição neurológica do paciente, utilizando-se da Escala de Coma de Glasgow (ECG) que avalia abertura dos olhos, resposta motora e resposta verbal como uma forma de estadiar e prever o prognóstico do paciente.

Campanha Neuro em Ação alerta para perigos de hábitos cotidianos

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Celular e direção, mergulho em águas rasas e má postura corporal serão temas da Neuro em Ação, campanha que alerta para os perigos de hábitos cotidianos.  É uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e conta com atividades simultâneas em várias capitais do país.

“Estudos mostram que, hoje, o celular e a direção matam mais que o álcool combinado ao volante. Precisamos trabalhar na vertente da prevenção, preservando vidas e evitando consequências danosas à saúde da nossa população”, alerta o médico neurocirurgião Benjamim Pessoa Vale, que está na coordenação da campanha.

O uso do celular à direção, o mergulho em águas rasas e as más posturas corporais provocam sequelas e lesões que podem ser evitadas. É com esse objetivo que a Neuro em Ação visa promover a disseminação de informações de utilidade pública e a realização de ações educativas.

Programação

Em Petrolina, a NEUROLIGA, em conjunto com os Residentes de Neurocirurgia e do Professor Orientador José Moura, realizam atividades de conscientização em escolas públicas e privadas da região.

A programação inicia-se nessa segunda-feira (11) e se estende até sexta-feira (15), tendo a programação divulgada na página de eventos do nosso site ( http://www.neuroligaunivasf.com.br/category/eventos/ ).

App de jogo de memória melhora função cognitiva em pacientes com deficit cognitivo amnéstico.

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“Game Show”, jogo para treinar o cérebro desenvolvido por neurocientistas britânicos.

Um jogo desenvolvido por neurocientistas da Universidade de Cambridge para treinamento do cérebro tem se mostrado eficaz para melhorar a memória de pacientes nos primeiros estágios de demência e poderia ajudar a evitar alguns sintomas de perda cognitiva. Os pacientes jogaram o “Game Show” por um mês, em 8 sessões diárias de uma hora.

Veja o artigo na integra.

Os pesquisadores constataram os pacientes com comprometimento cognitivo leve amnéstico (aMCI) que usavam o jogo melhoraram cerca de 40% a pontuação de memória e motivação e cometeram erros três vezes menos, quando comparado ao grupo controle. Além disso, observaram também que o grupo que jogou também foi capaz de reter informações visuais mais complexas.
“Os pacientes acharam o jogo interessante e atrativo e se sentiram motivados a continuar jogando durante 8 horas. Esperamos estender estes resultados em estudos futuros sobre o envelhecimento saudável e doença de Alzheimer leve”, disse George Savulich, que liderou o estudo na Universidade de Cambridge.
Segundo a OMS, a demência é uma condição que afeta 47.5 milhões de pessoas no mundo (2015), com uma incidência de 7.7 milhões/ano. O comprometimento cognitivo leve amnéstico (aMCI ou CCL amnéstico) é uma estagio de transição entre o envelhecimento saudável e a demência e é caracterizado por deficits de memória de curto prazo ao longo do dia e problemas motivacionais. Atualmente não existe medicamento eficaz para as disfunções cognitivas nesses pacientes.
Especialistas independentes disseram que as conclusões do estudo são encorajadoras, mas que o aplicativo precisa ser testado em outras formas de treinamento do cérebro em testes clínicos envolvendo mais pessoas.
“Apesar de que este tipo de treinamento do cérebro não será capaz de impedir em última análise ou curar doenças de memória como a demência, (é) um caminho promissor para melhorar sintomas iniciais da doença da memória”, disse Tara Spiers-Jones, da Universidade de Edimburgo.

Fonte: G1 | ScienceDaily

O que acontece ao seu cérebro se não dormir? Este é o maior estudo sobre sono e cognição

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Investigadores da Universidade de Western, no Canadá, estão realizando um estudo para avaliar como a falta de sono afeta o nosso cérebro. Mas esta pesquisa tem uma particularidade: a equipe quer que pessoas em todo o mundo participem nos seus testes. Como? Online, claro.

Problemas cardíacos, obesidade ou diabetes são algumas das doenças físicas ligadas a ausência de descanso. A falta de sono é um problema cada vez mais atual e global que, além de influenciar a produtividade, pode prejudicar significativamente a saúde. Mas, para perceber melhor como o sono e a sua privação afetam zonas específicas do nosso cérebro, Adrian Owen, neurocientista do Instituto do Cérebro e Mente de Ontário, no Canadá, lançou o maior estudo de sono e cognição do mundo.

“Sabemos que a interrupção do sono nos afeta de algumas maneiras, e que há pessoas que sentem o impacto mais do que outras. Mas, surpreendentemente, há poucas pesquisas sobre como os nossos cérebros lidam com essa privação de sono”, afirma Adrian Owen.

O estudo, lançado esta semana, pede aos participantes que iniciem sessão num site criado por neurocientistas, e que monitorizem os seus sonos durante três dias. Durante este período, a atividade cerebral dos voluntários será avaliada através de jogos e testes, que podem ser feitos através do computador, tablet ou smartphone. Segundo Adrian Owen, os investigadores pretendem perceber que quantidade de sono é “suficiente”, como a saúde do cérebro é moldada, a curto e a longo prazo, pela privação do sono, ou ainda se atinge da mesma forma pessoas de idades e trabalhos diferentes. “Neste estudo temos oportunidade de aprender muito mais sobre a resposta cerebral ao sono do que alguma vez tivemos. E o que aprendemos tem potencial para mudar a forma como milhões de pessoas vivem o seu cotidiano“, refere.

Depois de três dias de testes, os participantes podem ter acesso aos seus valores de sono e desempenho e comparar com os de outros voluntários. Estes dados de sono e cognição serão analisados com a intenção de partilhar os resultados dentro de seis meses.

Dormir é tão essencial como comer ou respirar, mas é frequente colocarmos essa necessidade em segundo, terceiro ou quarto lugar “devido à maneira como as exigências do trabalho aumentaram, a par e passo com a tecnologia e a forma como isso nos permitiu estar conectados ao nosso trabalho 24 horas por dia e sete dias por semana”, explicou Arianna Huffington, autora do bestseller norte-americano ‘A Revolução do Sono’.

O estudo é monitorizado pela Cambridge Brain Sciences, uma plataforma online líder em saúde cerebral, com mais de sete milhões de testes realizados por pessoas em mais de 75 países. “A Internet forneceu esta oportunidade sem precedentes de envolver o público nas pesquisas científicas, pesquisas essas que podem extrair uma mina de ouro de dados sobre o sono e o cérebro aos quais nunca tivemos acesso”, explicou Owen, que também é diretor científico da iniciativa BrainsCAN.

O Owen Lab está também a desenvolver novas definições das causas e consequências da memória, perceção e raciocínio em pessoas saudáveis e em pessoas com doenças neurodegenerativas. Este laboratório permite ainda que se faça um relatório sobre a saúde do nosso cérebro, “através de testes divertidos e válidos cientificamente” e “em menos de dez minutos”.

Fonte: http://observador.pt/

SUS passa a oferecer novo medicamento para esclerose múltipla

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O Sistema Único de Saúde (SUS) vai oferecer mais um medicamento para pacientes diagnosticados com esclerose múltipla, a teriflunomida, que ajuda a reduzir os surtos e a progressão da doença. De acordo com o Ministério da Saúde, o remédio será o primeiro medicamento da primeira linha de cuidado, por via oral.

O tratamento estará disponível nas unidades de saúde de todo o país em até seis meses e deve atender a cerca de 12 mil pacientes que já são tratados na rede pública, além dos novos casos.

A esclerose múltipla afeta adultos na faixa de 18 aos 55 anos de idade. No Brasil, a taxa de prevalência da doença é de aproximadamente 15 casos por 100 mil habitantes. Há quatro formas de evolução clínica: remitente-recorrente, primariamente progressiva, primariamente progressiva com surto e secundariamente progressiva. A forma mais comum é a remitente-recorrente, representando 85% de todos os casos no início de sua apresentação.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que acomete o sistema nervoso central, causando desmielinização e inflamação. O quadro clínico se manifesta, na maior parte das vezes, por surtos ou ataques agudos, podendo entrar em remissão de forma espontânea ou com o uso de corticosteroides.

Os sintomas mais comuns são neurite óptica, paresia ou parestesia de membros (sensações como formigamento, pressão, frio ou queimação), disfunções da coordenação e equilíbrio, mielites, disfunções esfincterianas e disfunções cognitivo-comportamentais, de forma isolada ou combinadas.

Atendimento

Atualmente, o SUS oferece seis medicamentos para o tratamento da doença: betainterferona (1a injetável e1b injetável); fingolimode 0,5mg; glatiramer 20 mg injetável; natalizumabe 300 mg; azatioprina 50 mg e o metilprednisolona 500mg. Além disso, o sistema público tem 277 hospitais habilitados como Unidade de Assistência ou Centro de Referência de Alta Complexidade em Neurologia/Neurocirurgia em todo o país.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/

 

Você sabe o que é Esclerose Múltipla? Confere o infográfico feito pela USP: